Trânsito nosso de cada dia

25/06/2017 21:33:04
Trânsito nosso de cada dia

O trânsito nosso de cada dia!

A análise da transformação do Brasil, de uma sociedade agrária para uma sociedade industrial e capitalista, contempla a questão urbana. O urbano, antes de ser um espaço físico, é um espaço social onde convivem pessoas com diferentes necessidades, sonhos e projetos de vida. O trânsito está relacionado às questões urbanas, porque intervém na organização e ordenação dos lugares e principalmente transformamos indivíduos em seres coletivos que compartilham o mesmo espaço.

O convívio social harmonioso exige organização do espaço onde as pessoas vivem, trabalham, estudam, se divertem, se locomovem. Mas até o final do século XIX o Brasil, então Colônia de Portugal, cresceu de forma desorganizada e pouca importância era dada à regulamentação das vias terrestres. As cidades cresceram pouco e sem nenhum compromisso com a qualidade de vida de seus poucos moradores.

Somente no final do período colonial é que as praças, ruas e ladeiras dos principais centros urbanos começaram a ser alinhadas, niveladas, calçadas e depois iluminadas. A seguir foram construídas as calçadas para separar o tráfego de veículos e de pessoas.

Após 1808, com a vinda da Família Real para o Brasil, as principais cidades começaram a se organizar, seguindo moldes e padrões europeus, especialmente o Rio de Janeiro.

A partir do inicio do século XX, o processo de metropolização das grandes cidades transformou o modo de viver de muitos brasileiros. Para a locomoção mais rápida e eficiente existiam os bondes e aos poucos os automóveis passaram a transitar pelas ruas mais largas e espaçosas.

Com o tempo, os automóveis foram assimilados como principal meio de locomoção, o que provocou grandes transformações no tecido urbano das cidades. A ocupação, a privatização do espaço público pelos usuários dos veículos motorizados tornou-se uma questão relevante. Para Vasconcelos (1998, p.76) foi o “aumento acelerado da frota de automóveis, dentro do processo de crescimento urbano que caracterizou a “crise” urbana dos transportes, e consequentemente, os problemas de trânsito”.

Na atualidade, o veículo motorizado proporciona conforto e representa poder aquisitivo. Seu uso traz muitas vantagens, mas as cidades maiores já não comportam tantos automóveis gerando tráfego lento, engarrafamentos e estresse. Os investimentos no sistema viário priorizam o veículo motorizado e assim o direito e ir e vir muitas vezes é utilizado para justificar o direito dos automóveis, sem considerar que tal direito é das pessoas e não dos veículos.

Para que haja preservação e respeito à vida humana, em uma sociedade em que a frota de automóveis está em constante crescimento, é necessária a formulação de normas que orientem o trânsito em todo território nacional. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), promulgado pela Lei Federal nº 9503 de 1997, define atribuições de diversas autoridades e órgãos ligados ao trânsito, fornece diretrizes para a Engenharia de Tráfego e estabelece normas de conduta, infrações e penalidades para os diversos usuários desse complexo sistema.

Em seu artigo 1º, o CTB rege definições que auxiliam na identificação de atribuições e responsabilidades que cada participante ativo do sistema de trânsito deve ter em relação ao espaço público:

Como fica a Educação para o Trânsito

 

Não é de hoje que se discute a crise da educação brasileira em geral e da educação para o trânsito em particular. Há um descompasso entre o que se ensina e o que a realidade social exige dos indivíduos, em conflito entre a escola e o cotidiano dos educandos.

Uma das possíveis causas é que a criança pensa de forma integral, é a unidade entre suas preferências e necessidades pessoais e as sociais que consolida as coisas que prendem sua atenção. E o currículo escolar fraciona essa experiência e provoca uma inútil dicotomia entre conhecimentos teóricos e práticos.

As ações implementadas para a educação para o trânsito nas escolas brasileiras estão bem normatizadas, há um significativo envolvimento entre órgãos governamentais, organizações públicas e privadas e sociedade organizada. Existe especialmente um consenso de que a abordagem das questões relacionadas ao trânsito são fundamentais em todo e qualquer processo educativo. O problema é que a normatização das condutas permitidas e proibidas, a sua divulgação em sala de aula e em campanhas educativas não têm sido suficientes para a harmonização das relações no trânsito.

A hipótese é que as crianças que recebem orientações de trânsito desde o ensino fundamental terão mais facilidade para compreender e praticar as normas necessárias para transitar com responsabilidade e segurança nas vias públicas. Mas, para ensinar trânsito nos anos iniciais do ensino, os professores precisam de capacitação, metodologia adequada, planejamento, material didático específico, envolvimento com seus pares, com o governo e com a comunidade, além da transversalidade do tema.

 

Fábio Campos da Silva Especialista em trânsito e transporte

Diretor Presidente da Escola Espaço do Trânsito

 

 

 



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