Conceitos Básicos de Calçadas e Passeios

26/06/2017 20:07:28
Conceitos Básicos de Calçadas e Passeios Conceitos Básicos de Calçadas e Passeios

Caminhar a pé é uma das ações mais fundamentais do ser humano. As áreas urbanas brasileiras, onde vive grande parte da população, são compostas tipicamente de quarteirões com 100 metros de comprimento e vias para trânsito motorizado de cerca de 10 metros de largura em média. Assim, em termos de distância, uma caminhada típica é feita cerca de 90% em calçadas e cerca de 10% atravessando vias. Nas cidades brasileiras mais do que 30% dos deslocamentos diários da população são feitos exclusivamente a pé. Ainda mais, quase todos os deslocamentos utilizando transportes coletivos por ônibus ou trem, e mesmo muitos feitos em automóvel, também incluem trechos percorridos a pé.

Qualquer pessoa caminhando a pé nas cidades brasileiras pode constatar as condições inadequadas das calçadas. A cada poucos metros encontram-se obstáculos e perigos que tornam necessário caminhar sempre olhando para o piso, em vez de poder prestar atenção à natureza, às outras pessoas, às vitrines das lojas.

Melhorar significativamente a qualidade das calçadas requer os seguintes passos: a definição de conceitos de qualidade de calçadas; o registro do padrão atual da qualidade das calçadas; a identificação e a implementação de medidas eficientes e eficazes para melhorar este padrão; a mensuração dos resultados de implementação das medidas; e a avaliação técnica e econômica dos resultados.

A qualidade da calçada para circulação de pedestres pode ser definida e medida principalmente em termos de 3 fatores: Fluidez, Conforto e Segurança.

Uma calçada com fluidez apresenta largura e espaço livre compatíveis com os fluxos de pedestres, que conseguem andar com velocidade livre e constante. Uma calçada com conforto apresenta um piso que seja liso, contínuo, quase horizontal, antiderrapante mesmo quando molhado, e sem obstáculos dentro do espaço livre ocupado pelos pedestres. Uma calçada segura oferece aos pedestres tudo isto sem perigo de queda ou tropeço ou de bater ou danificar partes do corpo, como a cabeça, as mãos ou as pernas.

O Anexo 1 do CTB – Código de Trânsito Brasileiro, apresenta as seguintes definições importantes mas pouco conhecidas:

CALÇADA - parte da via, normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de mobiliário urbano, sinalização, vegetação e outros fins.

VIA - superfície por onde transitam veículos, pessoas e animais, compreendendo a pista, a calçada, o acostamento, ilha e canteiro central.

PASSEIO - parte da calçada ou da pista de rolamento, neste último caso, separada por pintura ou elemento físico separador, livre de interferências, destinada à circulação exclusiva de pedestres e, excepcionalmente, de ciclistas.

Assim, percebe-se que, de acordo com a legislação de trânsito, a “via” inclui os espaços reservados à circulação de pedestres.

Um pedestre é qualquer pessoa se locomovendo a pé nas vias públicas. Pessoas se locomovendo em cadeiras de rodas, para fins de planejamento e engenharia, podem e devem ser consideradas como pedestres, já que se locomovem com velocidades semelhantes às velocidades das pessoas caminhando a pé, ocupem espaços de tamanhos semelhantes e necessitam de pisos com características semelhantes às dos pisos recomendados para o caminhar a pé.

Pedestres são seres humanos. Quase todos têm duas pernas e dois pés que utilizam para se locomover. Quando caminham, levantam os pés muito pouco acima do nível do piso. Assim, qualquer saliência ou desnível na calçada apresenta perigo de interromper o movimento, podendo resultar facilmente em queda ou tropeço do pedestre, especialmente porque o centro de gravidade de um ser humano encontra-se consideravelmente acima dos seus pés.

Algumas características significativas de pedestres mudam de acordo com a idade. O jovem-adulto/adulto com boa saúde, acostumado a deslocar-se a pé nas ruas, tem boa percepção, é capaz de julgar adequadamente o que fazer diante dos riscos e se mostra ágil ao desviar de obstáculos durante a caminhada, Porém, em geral os adultos tendem a andar olhando para frente ou para o lado, mas não para baixo. Assim, ficam expostos ao perigo de qualquer defeito na calçada. Com o avançar da idade alguns atributos físicos, como a visão e agilidade, entram em processo de decadência. Sendo assim, os idosos são os usuários que estão mais expostos a riscos quando as calçadas apresentam defeitos. Em áreas urbanas com calçadas de baixa qualidade, os idosos tendem a ficar em casa em vez de enfrentar as dificuldades e perigos de caminhar nas ruas, especialmente após sofrer uma queda.

As dimensões mais importantes de pedestres para fins de dimensionamento de calçadas são largura e altura do corpo humano. A largura da pessoa caminhando varia entre cerca de 60cm e 70cm. A sua altura varia de menos de 1 metro até cerca de 2 metros. Assim, uma pessoa qualquer, ao caminhar, ocupa uma área máxima de 2 metros por 70cm, com poucas exceções. Para atender minimamente bem a população, as calçadas devem prover um “corredor” contínuo de espaço livre com pelo menos essas dimensões.

Philip Anthony Gold

Um excelente resumo de espaço urbano.

 

 

 

 

 

 



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